{"id":15375,"date":"2018-04-25T19:30:15","date_gmt":"2018-04-25T17:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mdipime.org\/vida-missionaria\/comunita-laici-mdi-19982018-un-filo-rosso-lungo-ventanni\/"},"modified":"2018-12-06T14:10:22","modified_gmt":"2018-12-06T13:10:22","slug":"comunita-laici-mdi-19982018-un-filo-rosso-lungo-ventanni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mdipime.org\/pt-br\/leigos-mdi-experiencias-e-partilhas\/comunita-laici-mdi-19982018-un-filo-rosso-lungo-ventanni\/","title":{"rendered":"Comunidade Leigos e Leigas MdI:  um fio vermelho ao longo de vinte anos."},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sim, este ano apagaremos 20 velinhas!<\/p>\n<p>A minha participa\u00e7\u00e3o na Comunidade, por\u00e9m, come\u00e7ou alguns anos mais tarde. Em 1998 eu fazia a minha primeira experi\u00eancia em miss\u00e3o. Tudo come\u00e7ou com a idade de trinta anos, quando comecei a me colocar essas quest\u00f5es existenciais que n\u00e3o te deixam tranquila! Eu, crist\u00e3, s\u00f3 aos domingos para a hora da missa, senti o desejo de ter uma conversa s\u00e9ria com meu p\u00e1roco, e contei-lhe tudo o que me inquietava naquele per\u00edodo, e ele, entre outras coisas, convidou-me para frequentar a par\u00f3quia e ocupar-me das atividades com as crian\u00e7as. Eu aceitei o convite e comecei a sentir-me parte de uma comunidade que me aceitava como eu era, com qualidades e defeitos. Lentamente passei a fazer parte de outros grupos paroquiais, entre os quais o grupo mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma noite, numa reuni\u00e3o do Decanato, conheci &#8220;por acaso&#8221; uma freira da Purifica\u00e7\u00e3o, mission\u00e1ria no Brasil, que quase como uma brincadeira me convidou para visit\u00e1-la em sua miss\u00e3o. A minha rea\u00e7\u00e3o imediata foi perguntar-lhe: &#8220;Mas o que eu posso fazer l\u00e1?&#8221; e recusei o convite. Esta irm\u00e3, por\u00e9m, me deixou um n\u00famero de telefone para entrar em contato com a respons\u00e1vel do grupo que no pr\u00f3ximo ver\u00e3o partiria para o Brasil. Embora surgissem muitos medos dentro de mim e, acima de tudo, um grande sentimento de impot\u00eancia, esse convite n\u00e3o me deixou indiferente; e enquanto isso, o tempo passava&#8230; na indecis\u00e3o! Em seguida, um artigo escrito por aquela mesma freira, com o qual ela se despedia da sua comunidade para retornar para a miss\u00e3o, tocou-me profundamente e eu decidi fazer aquele telefonema. Mesmo que ainda tivesse dentro de mim todos os meus medos, parti para S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o (nordeste do Brasil).<\/p>\n<p>Nesta primeira experi\u00eancia, o impacto com a realidade do lugar foi um verdadeiro tapa na cara. Entre o saber que em algum lugar do mundo existe a pobreza extrema, e v\u00ea-la com os pr\u00f3prios olhos, a diferen\u00e7a \u00e9 muito grande. Eu a vi com meus pr\u00f3prios olhos no Brasil, visitando as fam\u00edlias mais pobres do bairro, que recebiam alguma ajuda \u00e0 dist\u00e2ncia da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Voltando do Brasil lancei-me novamente na vida paroquial e parecia-me n\u00e3o ter mais tempo para outras coisas. Ainda &#8220;por acaso&#8221; conheci uma pessoa que me falou sobre o itiner\u00e1rio formativo \u201cJovens e Miss\u00e3o organizado pelo PIME e pelas Mission\u00e1rias da Imaculada. Eu queria conhec\u00ea-lo melhor e marquei um encontro com um dos respons\u00e1veis. Naquela breve conversa eu percebi que havia algo que fazia vibrar o meu cora\u00e7\u00e3o e que aquele ambiente deveria tornar-se parte da minha vida: assim eu comecei a participar dos encontros do grupo \u201cJovens e miss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o seguinte, fui convidada a voltar na mesma miss\u00e3o no Brasil; tinha sido programado um mutir\u00e3o para a expans\u00e3o de uma das escolas das irm\u00e3s. Eu aceitei logo o convite (agora j\u00e1 t\u00ednhamos formado um grupo de amigos!) e devo dizer que foi uma experi\u00eancia especial porque ficamos em uma pequena casa nas proximidades da escola, no meio do povo. Depois do trabalho, os pedreiros iam at\u00e9 n\u00f3s para tomar uma cerveja juntos. \u00c0 noite, tinha sempre algu\u00e9m que vinha nos visitar&#8230; era uma experi\u00eancia humana \u00fanica.<\/p>\n<p>Depois deste ver\u00e3o, decidi come\u00e7ar o Caminho Vocacional, sempre organizado pelo PIME. De repente, recebi duas propostas para o m\u00eas de agosto para uma experi\u00eancia na miss\u00e3o: uma ainda no Brasil, na mesma miss\u00e3o e com as mesmas pessoas; a outra com as Mission\u00e1rias da Imaculada, com destino ainda a ser determinado e companheiros de viagem desconhecidos! Naquele per\u00edodo, a Palavra de Deus que ressoava dentro de mim era a do epis\u00f3dio do jovem rico a quem Jesus pedia para vender tudo e segui-Lo.<\/p>\n<p>O que o Senhor estava pedindo para mim? A miss\u00e3o \u00e9 confiar em Algu\u00e9m superior a n\u00f3s e a mim era pedido de deixar todos os meus medos e todas as minhas certezas e seguran\u00e7as. Eu confiei e fui destinada para outra miss\u00e3o com uma nova companheira de viagem: o Camar\u00f5es, juntamente com outra jovem do caminho vocacional.<\/p>\n<p>No Camar\u00f5es pude viver a miss\u00e3o de um modo diferente. L\u00e1 conheci o estilo das MdI e confesso que me apaixonei: a abertura e a acolhida para com todos, a disponibili\u00addade das Irm\u00e3s, o estar sempre no meio do povo falando a l\u00edngua local, e a coisa mais importante, a promo\u00e7\u00e3o humana. Tudo isso fez-me entender que era este o ambiente que eu desejava. Assim que voltasse para casa, iria procurar um itiner\u00e1rio formativo para engajar-me, mas eu n\u00e3o queria um que come\u00e7asse em setembro e se conclu\u00edsse em junho, como tinha feito at\u00e9 ent\u00e3o, eu procuraria algo que envolvesse toda a minha vida. Foi quando as Irm\u00e3s Mission\u00e1rias da Imaculada, convidaram-me para tornar-me parte do Grupo Leigos MdI. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o sabia, da exist\u00eancia de grupos leigos ligados a Institutos Mission\u00e1rios. A proposta tinha me deixado um pouco perplexa, mas assim mesmo eu quis participar a um encontro. Para mim foi amor \u00e0 primeira vista. Mesmo com a dificuldade de n\u00e3o conhecer ningu\u00e9m e n\u00e3o entender bem o que estavam fazendo, senti-me finalmente em casa&#8230; E assim, entre momentos de desconforto e dificuldades e outros de entusiasmo e ardor, tornei-me membro deste grupo que ao passar do tempo tomou o nome de Comunidade Leigos MdI.<\/p>\n<p>J\u00e1 se passaram vinte anos desde a funda\u00e7\u00e3o da Comunidade dos leigos MdI. Nestes vinte anos n\u00f3s destrinchamos o tema da miss\u00e3o <em>ad gentes<\/em>, estudamos, aprofundamos, meditamos e rezamos; v\u00e1rios membros fizeram a experi\u00eancia direta nas miss\u00f5es. Agora chegou o momento de colocar em pr\u00e1tica aquilo que aprendemos, talvez com um projeto de colabora\u00e7\u00e3o com as Irm\u00e3s nas miss\u00f5es. No momento \u00e9 s\u00f3 um sonho, uma pequena luz que vemos somente com os olhos do cora\u00e7\u00e3o, mas, como dizia Madre Giuseppina Dones, \u201cSe Deus quiser se far\u00e1\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Roberta Corbetta &#8211; Comunidade Leigos MdI It\u00e1lia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sim, este ano apagaremos 20 velinhas! A minha participa\u00e7\u00e3o na Comunidade, por\u00e9m, come\u00e7ou alguns anos mais tarde. Em 1998 eu fazia a minha primeira experi\u00eancia em miss\u00e3o. Tudo come\u00e7ou com a idade de trinta anos, quando comecei a me colocar essas quest\u00f5es existenciais que n\u00e3o te deixam tranquila! Eu, crist\u00e3, s\u00f3 aos domingos para a hora da missa, senti o desejo de ter uma conversa s\u00e9ria com meu p\u00e1roco, e contei-lhe tudo o que me inquietava naquele per\u00edodo, e ele, entre outras coisas, convidou-me para frequentar a par\u00f3quia e ocupar-me das atividades com as crian\u00e7as. Eu aceitei o convite e comecei a sentir-me parte de uma comunidade que me aceitava como eu era, com qualidades e defeitos. Lentamente passei a fazer parte de outros grupos paroquiais, entre os quais o grupo mission\u00e1rio. Uma noite, numa reuni\u00e3o do Decanato, conheci &#8220;por acaso&#8221; uma freira da Purifica\u00e7\u00e3o, mission\u00e1ria no Brasil, que quase como uma brincadeira me convidou para visit\u00e1-la em sua miss\u00e3o. A minha rea\u00e7\u00e3o imediata foi perguntar-lhe: &#8220;Mas o que eu posso fazer l\u00e1?&#8221; e recusei o convite. Esta irm\u00e3, por\u00e9m, me deixou um n\u00famero de telefone para entrar em contato com a respons\u00e1vel do grupo que no pr\u00f3ximo ver\u00e3o partiria para o Brasil. Embora surgissem muitos medos dentro de mim e, acima de tudo, um grande sentimento de impot\u00eancia, esse convite n\u00e3o me deixou indiferente; e enquanto isso, o tempo passava&#8230; na indecis\u00e3o! Em seguida, um artigo escrito por aquela mesma freira, com o qual ela se despedia da sua comunidade para retornar para a miss\u00e3o, tocou-me profundamente e eu decidi fazer aquele telefonema. Mesmo que ainda tivesse dentro de mim todos os meus medos, parti para S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o (nordeste do Brasil). Nesta primeira experi\u00eancia, o impacto com a realidade do lugar foi um verdadeiro tapa na cara. Entre o saber que em algum lugar do mundo existe a pobreza extrema, e v\u00ea-la com os pr\u00f3prios olhos, a diferen\u00e7a \u00e9 muito grande. Eu a vi com meus pr\u00f3prios olhos no Brasil, visitando as fam\u00edlias mais pobres do bairro, que recebiam alguma ajuda \u00e0 dist\u00e2ncia da It\u00e1lia. Voltando do Brasil lancei-me novamente na vida paroquial e parecia-me n\u00e3o ter mais tempo para outras coisas. Ainda &#8220;por acaso&#8221; conheci uma pessoa que me falou sobre o itiner\u00e1rio formativo \u201cJovens e Miss\u00e3o organizado pelo PIME e pelas Mission\u00e1rias da Imaculada. Eu queria conhec\u00ea-lo melhor e marquei um encontro com um dos respons\u00e1veis. Naquela breve conversa eu percebi que havia algo que fazia vibrar o meu cora\u00e7\u00e3o e que aquele ambiente deveria tornar-se parte da minha vida: assim eu comecei a participar dos encontros do grupo \u201cJovens e miss\u00e3o\u201d. No ver\u00e3o seguinte, fui convidada a voltar na mesma miss\u00e3o no Brasil; tinha sido programado um mutir\u00e3o para a expans\u00e3o de uma das escolas das irm\u00e3s. Eu aceitei logo o convite (agora j\u00e1 t\u00ednhamos formado um grupo de amigos!) e devo dizer que foi uma experi\u00eancia especial porque ficamos em uma pequena casa nas proximidades da escola, no meio do povo. 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