{"id":24134,"date":"2019-08-27T11:21:28","date_gmt":"2019-08-27T09:21:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mdipime.org\/?p=24134"},"modified":"2019-09-11T16:41:38","modified_gmt":"2019-09-11T14:41:38","slug":"aprender-a-caminhar-como-crianca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mdipime.org\/pt-br\/vida-missionaria\/mes-missionario-extraordinario-2019\/aprender-a-caminhar-como-crianca-2\/","title":{"rendered":"Aprender a caminhar como crian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sou Ir. Suzanne Djebba, de nacionalidade camaronesa e tenho 41 anos. Sou mission\u00e1ria na Guin\u00e9 onde cheguei h\u00e1 um ano e meio e estou na comunidade de Bissau.<\/strong><\/p>\n<p><!--more-->Em pensar a miss\u00e3o como adaptamento e inser\u00e7\u00e3o posso dizer que depois de s\u00f3 um ano e meio, este processo para mim est\u00e1 ainda em ato porque prosseguem o meu conhecimento seja da realidade da miss\u00e3o que Deus me confiou, das pessoas com quem estou trabalhando, mas tamb\u00e9m da comunidade onde estou vivendo com as irm\u00e3s de diferentes nacionalidades.<\/p>\n<p>De fato quando cheguei na Guin\u00e9, tinha h\u00e1 pouco acabado de aprender o portugu\u00eas, ent\u00e3o mesmo que j\u00e1 sabia que n\u00e3o era uma l\u00edngua muito falada, tinha a esperan\u00e7a que alguns a falassem. A realidade por\u00e9m se presentou bem diferente do meu pensamento, portanto o primeiro desafio que enfrentei foi aquele de ver que a l\u00edngua que aprendi, com empenho e interesse, n\u00e3o servia muito aqui na miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Tinha que escolher entre continuar a falar algo que ningu\u00e9m entendia ou entrar seriamente num processo de aprendizagem duma nova l\u00edngua que me pudesse ajudar a comunicar com as pessoas. Resolvi que devia mesmo aprender o Krioulo que tem muitas palavras derivadas do portugu\u00eas, mas \u00e9 outra l\u00edngua com express\u00f5es, estilo e gramatica pr\u00f3prios. Depois das confus\u00f5es inicias, comecei pouco a pouco a aprende-lo. Isto me deu a grande oportunidade de falar com as pessoas e de interagir com elas.<\/p>\n<p>Sendo africana, no in\u00edcio ningu\u00e9m acreditava que eu n\u00e3o fosse Guineense, pensavam que n\u00e3o gostasse de falar a l\u00edngua deles, mas depois de notar a diferen\u00e7a do meu sotaque e tamb\u00e9m a real dificuldade de expressar- me como os guineenses, chegaram a conclus\u00e3o que eu tinha raz\u00e3o. Com tempo e muito esfor\u00e7o em tentar falar consegui ultrapassar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O desafio da l\u00edngua por\u00e9m ainda permanece especialmente quando se vai nas aldeais, onde o povo usa palavras mais t\u00edpicas daquele que est\u00e1 na cidade. Uma das coisas edificantes que notei, por\u00e9m, \u00e9 que quando as pessoas percebem o esfor\u00e7o que se faz, elas ajudam tamb\u00e9m e demostram mais toler\u00e2ncia para com os erros.<\/p>\n<p>No in\u00edcio pedia- lhes de corrigir- me, mas percebi que as pessoas por respeito n\u00e3o diziam que tinha errado, mas repetiam a mesma frase de maneira correta, coisa que me levava a perguntar-me a raz\u00e3o pela qual tinham que repetir o que tinha acabado de dizer. At\u00e9 que eu cheguei a entender que era uma forma respeitosa de fazer as corre\u00e7\u00f5es. Neste meu processo de inser\u00e7\u00e3o, posso dizer que os meus melhores professores foram as crian\u00e7as, porque com a espontaneidade delas, me ajudaram a melhorar a minha de pron\u00fancia e tambem a aprender novas palavras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da l\u00edngua, a adapta\u00e7\u00e3o e a inser\u00e7\u00e3o para mim passaram pela busca de conhecer e entender os usos e costumes da Guin\u00e9 que por um lado tem algumas semelhan\u00e7as com aqueles do meus pais, mas por outro lado tem diferencias not\u00e1veis seja na maneira de perceber a vida, seja de lidar com os la\u00e7os familiares, at\u00e9 tamb\u00e9m de viver a f\u00e9.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia no in\u00edcio era de fazer compara\u00e7\u00f5es, que felizmente n\u00e3o me levava a nada, mas com o passar do tempo, aprendi a acolher esta diferencia como algo ligado \u00e1 minha vida missionaria. <strong>Por isso posso dizer que entrar num novo contexto de miss\u00e3o para mim \u00e9 como aprender a caminhar como crian\u00e7a: no inicio n\u00e3o tem equil\u00edbrio, depois vai cair na tentativa de ir depressa, mas \u00e9 s\u00f3 devagar que se consegue a ficar de p\u00e9 e andar com seguran\u00e7a porque se conhece um pouco mais onde o caminho vai nos levar.<\/strong><\/p>\n<p>O que me da coragem \u00e9 ver outros mission\u00e1rios rec\u00e9m- chegados fazer o meu mesmo caminho de inser\u00e7\u00e3o. Caminho que comporta certamente cansa\u00e7o, mas tamb\u00e9m alegria de entrar em contato com o novo e o diferente para partilhar a f\u00e9 e viver a comunh\u00e3o de Cristo com eles. <strong>Por isso, para mim, o processo que ainda est\u00e1 acontecendo me leva a crescer na humildade e na abertura do cora\u00e7\u00e3o, porque cada dia vejo que tenho ainda muito para aprender.<\/strong> Neste caminho, tenho certeza de n\u00e3o estar sozinha porque a comunidade me acompanha esclarecendo algumas minhas d\u00favidas. A certeza do que o Senhor est\u00e1 sempre ao meu lado \u00e9 para mim fonte de serenidade e confian\u00e7a para viver nesta terra de miss\u00e3o que Ele me confiou.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ir. Suzanne D\u2019jebba, Delega\u00e7ao Guin\u00e9 Bissau.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou Ir. Suzanne Djebba, de nacionalidade camaronesa e tenho 41 anos. 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