{"id":34206,"date":"2020-12-22T16:04:33","date_gmt":"2020-12-22T15:04:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mdipime.org\/?p=34206"},"modified":"2020-12-22T16:04:33","modified_gmt":"2020-12-22T15:04:33","slug":"missao-nao-e-fazer-mas-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mdipime.org\/pt-br\/vida-missionaria\/missao-nao-e-fazer-mas-ser\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 fazer, mas SER"},"content":{"rendered":"<p>Deus me presenteou com a oportunidade de viver intensamente por 42 anos minha voca\u00e7\u00e3o missionaria, entre os ind\u00edgenas, caboclos e ribeirinhos. Trabalhei com os ind\u00edgenas \u201cSater\u00e9 Mau\u00e9 e com os Mundurukus e por longos anos com os povos Ribeirinhos. Minha primeira experi\u00eancia no Amazonas foi baseada na cria\u00e7\u00e3o de Comunidades de Base, principalmente nas comunidades Ribeirinhas, preparando lideran\u00e7as e desenvolvendo a consci\u00eancia cr\u00edtica sobre a realidade da \u00e9poca, tempo da repress\u00e3o em que vivia o Pa\u00eds e tamb\u00e9m entre os ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-34192 \" src=\"https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Imelda-capa-300x292.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Imelda-capa-300x292.jpg 300w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Imelda-capa.jpg 314w\" sizes=\"(max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/>Aprendi muito com eles sobre os valores do Evangelho, entre eles a simplicidade de vida. Principalmente acreditam num Deus \u201cTupanaru\u201d que nos ama assim como somos e que est\u00e1 muito presente na natureza. Quando um ind\u00edgena est\u00e1 aborrecido, ele vai na floresta e escolhe uma \u00e1rvore para conversar, e tamb\u00e9m vai no local onde est\u00e3o enterrados os seus ancestrais. Ai senta, conversa e recebe conselhos.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos primeiros dias de presen\u00e7a entre os Sater\u00e9 Mau\u00e9, observei que entre eles n\u00e3o existe \u201c<strong>este \u00e9 meu este \u00e9 teu<\/strong>\u201d, Ou seja, tudo \u00e9 de todos. Quando os homens passajavam a noite na mata tentando encontrar alguma ca\u00e7a para comer ou conseguir pescar alguns peixes para o sustento da fam\u00edlia, ao chegar na aldeia tudo o que conseguiam era dividido entre todos. Um dia cozinhei um pouco de macarr\u00e3o na \u00e1gua e sal, era o que t\u00ednhamos para comer naquele dia. Logo fiquei rodeada de crian\u00e7as e adultos. Distribui uns fios de macarr\u00e3o nas m\u00e3os de cada um. Quem recebeu mais que um fio tamb\u00e9m partilhava com os outros, sendo que, entre crian\u00e7as e adultos o macarr\u00e3o que tinha mal dava um fio para cada um. <strong>\u201cE todos distribu\u00edam o p\u00e3o e n\u00e3o havia necessitados entre eles\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-34196 \" src=\"https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/caboclos-300x211.jpg\" alt=\"caboclos\" width=\"355\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/caboclos-300x211.jpg 300w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/caboclos-768x539.jpg 768w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/caboclos-672x472.jpg 672w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/caboclos.jpg 1017w\" sizes=\"(max-width: 355px) 100vw, 355px\" \/>A cultura ind\u00edgena me ajudou a fazer uma forte experi\u00eancia de Deus e ter um grande respeito pela natureza. O ind\u00edgena tem outra forma de relacionar-se com Deus. Um Deus presente nas \u00e1rvores, no Sol, na Lua e no sil\u00eancio da mata. Aprendi a ouvir Deus falar no murm\u00fario do vento, no luar e ouvir o som das \u00e1guas dos rios.<br \/>\nNunca vi um pai ou uma m\u00e3e bater numa crian\u00e7a. Quem educa o menino \u00e9 o pai e que educa a menina \u00e9 a m\u00e3e. Quando a crian\u00e7a ou o adolescente precisa ser corregido o educador chama e vai num lugar retirado e tanto Pai como a m\u00e3e conversa com o filho ou a filha.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-34200 alignleft\" src=\"https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/indio-298x300.jpg\" alt=\"\" width=\"298\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/indio-298x300.jpg 298w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/indio-150x150.jpg 150w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/indio-672x677.jpg 672w, https:\/\/mdipime.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/indio.jpg 711w\" sizes=\"(max-width: 298px) 100vw, 298px\" \/>Aprendi tamb\u00e9m que a <strong> nossa miss\u00e3o \u00e9 tanto o FAZER mas o SER.<\/strong><br \/>\nSer presen\u00e7a de <strong>LUZ<\/strong>, ser presen\u00e7a <strong>solidaria<\/strong>, testemunhar a <b>miseric\u00f3rdia<\/b>\u00a0de um Deus que nos ama do jeito que somos. Aprendi o respeito pela cultura e pelo ritmo de vida pr\u00f3pria dos povos ind\u00edgenas e ribeirinhos.<br \/>\nAprendi tamb\u00e9m que a missionaria precisa esvaziar-se do seu jeito de ser, de rezar&#8230;. Esvaziar-se da sua cultura e sobretudo amar aquele povo a ela confiado. Ser extremamente simples, respeitar o ritmo deles e o jeito de se relacionar com Deus.<br \/>\nDois dias depois que chegamos na aldeia, o Tuxaua, (chefe) reuniu a todos os ind\u00edgenas e disse que deveriam nos acolher bem e respeitar, por que \u00e9ramos \u201cas primas\u201d de Jesus.<br \/>\nAgora sinto muito pelo sofrimento que este povo est\u00e1 passando atualmente, povo abandonado as vezes pela presen\u00e7a da Igreja e esquecido pelos governantes. Um povo que est\u00e1 sendo encurralado devido as grandes queimadas da floresta. A destrui\u00e7\u00e3o da natureza e tamb\u00e9m a destrui\u00e7\u00e3o do ser humano ind\u00edgena.<br \/>\nGuardo com gratid\u00e3o, carinho e admira\u00e7\u00e3o a lembran\u00e7as destes nossos irm\u00e3os, que me ajudaram a fazer uma forte experi\u00eancia de Deus e uma riqu\u00edssima experi\u00eancia missionaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ir. Imelda Zandonadi \u2013 Brasil Sul<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus me presenteou com a oportunidade de viver intensamente por 42 anos minha voca\u00e7\u00e3o missionaria, entre os ind\u00edgenas, caboclos e ribeirinhos. Trabalhei com os ind\u00edgenas \u201cSater\u00e9 Mau\u00e9 e com os Mundurukus e por longos anos com os povos Ribeirinhos. Minha primeira experi\u00eancia no Amazonas foi baseada na cria\u00e7\u00e3o de Comunidades de Base, principalmente nas comunidades Ribeirinhas, preparando lideran\u00e7as e desenvolvendo a consci\u00eancia cr\u00edtica sobre a realidade da \u00e9poca, tempo da repress\u00e3o em que vivia o Pa\u00eds e tamb\u00e9m entre os ind\u00edgenas. Aprendi muito com eles sobre os valores do Evangelho, entre eles a simplicidade de vida. Principalmente acreditam num Deus \u201cTupanaru\u201d que nos ama assim como somos e que est\u00e1 muito presente na natureza. Quando um ind\u00edgena est\u00e1 aborrecido, ele vai na floresta e escolhe uma \u00e1rvore para conversar, e tamb\u00e9m vai no local onde est\u00e3o enterrados os seus ancestrais. Ai senta, conversa e recebe conselhos. J\u00e1 nos primeiros dias de presen\u00e7a entre os Sater\u00e9 Mau\u00e9, observei que entre eles n\u00e3o existe \u201ceste \u00e9 meu este \u00e9 teu\u201d, Ou seja, tudo \u00e9 de todos. Quando os homens passajavam a noite na mata tentando encontrar alguma ca\u00e7a para comer ou conseguir pescar alguns peixes para o sustento da fam\u00edlia, ao chegar na aldeia tudo o que conseguiam era dividido entre todos. Um dia cozinhei um pouco de macarr\u00e3o na \u00e1gua e sal, era o que t\u00ednhamos para comer naquele dia. Logo fiquei rodeada de crian\u00e7as e adultos. Distribui uns fios de macarr\u00e3o nas m\u00e3os de cada um. Quem recebeu mais que um fio tamb\u00e9m partilhava com os outros, sendo que, entre crian\u00e7as e adultos o macarr\u00e3o que tinha mal dava um fio para cada um. \u201cE todos distribu\u00edam o p\u00e3o e n\u00e3o havia necessitados entre eles\u201d. A cultura ind\u00edgena me ajudou a fazer uma forte experi\u00eancia de Deus e ter um grande respeito pela natureza. O ind\u00edgena tem outra forma de relacionar-se com Deus. Um Deus presente nas \u00e1rvores, no Sol, na Lua e no sil\u00eancio da mata. Aprendi a ouvir Deus falar no murm\u00fario do vento, no luar e ouvir o som das \u00e1guas dos rios. Nunca vi um pai ou uma m\u00e3e bater numa crian\u00e7a. Quem educa o menino \u00e9 o pai e que educa a menina \u00e9 a m\u00e3e. Quando a crian\u00e7a ou o adolescente precisa ser corregido o educador chama e vai num lugar retirado e tanto Pai como a m\u00e3e conversa com o filho ou a filha. Aprendi tamb\u00e9m que a nossa miss\u00e3o \u00e9 tanto o FAZER mas o SER. Ser presen\u00e7a de LUZ, ser presen\u00e7a solidaria, testemunhar a miseric\u00f3rdia\u00a0de um Deus que nos ama do jeito que somos. Aprendi o respeito pela cultura e pelo ritmo de vida pr\u00f3pria dos povos ind\u00edgenas e ribeirinhos. Aprendi tamb\u00e9m que a missionaria precisa esvaziar-se do seu jeito de ser, de rezar&#8230;. Esvaziar-se da sua cultura e sobretudo amar aquele povo a ela confiado. Ser extremamente simples, respeitar o ritmo deles e o jeito de se relacionar com Deus. 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